quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Se a saudade matasse…


Meigos raiando se abrem
Desperto e ali estás
Deslumbrante, radiosa, divinal
Qual aurora boreal
Cerro-os e volto a abrir…
Oh não, não pode ser
Eu não te quero perder!
Desnudado, desesperado
Dali saio correndo
Refugio-me na multidão
Para fugir à solidão,
E naquele surdo burburinho
O deserto me invade
Me mirra e definha lentamente.        
Miro em vão o horizonte
Na ânsia de os encontrar
Esses olhos pérola negra
Que beijei no meu sonhar.
Sigo deambulando
Por veredas e becos sem fim
Buscando em espiral invertida
A outra parte de mim.
Relembro agora, ali sentado
No banco onde te deixei
Esses sensuais longos dedos
Que ainda sinto e me enamorei.
Não é o tempo nem a idade
Que me traz esta saudade
Mas o sangue incandescente
Tal qual lava que cai no rio,
Porque se a ser verdade
Se a saudade matasse
Estaria esta vida por um fio.

"fernandes vaz"

Sem comentários: